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No calor úmido do litoral potiguar, uma cidade marcada por uma tragédia do passado volta ao centro das atenções. Esse é o ponto de partida de “Tempestade de Sal”, primeiro romance de Maurício C. Garcia, que combina mistério, suspense e atmosfera de thriller para explorar as marcas deixadas por um acontecimento que parecia enterrado.
Na trama, o passado retorna com força quando um filme vencedor do Oscar transforma o balneário de Netuno em destino turístico e desperta a curiosidade sobre uma história que muitos preferiam esquecer. A fama repentina, no entanto, tem um preço. Décadas depois do episódio que marcou a cidade, a chegada de turistas e curiosos reabre feridas antigas e faz surgir perguntas sobre aquilo que ficou fora dos registros oficiais.
O livro parte desse choque entre memória coletiva, exploração turística e silêncio para construir uma narrativa na qual a paisagem litorânea deixa de ser apenas cenário e passa a carregar os vestígios de uma história ainda sem desfecho.
Nesse ambiente, Pedro retorna a Netuno para lidar com o passado de sua família, enquanto um detetive segue pistas relacionadas à antiga tragédia. À medida que os dois caminhos se aproximam, a fronteira entre mito e verdade perde nitidez. Superstição, paranoia, culpa e disputas de poder atravessam a investigação e ampliam a tensão de uma narrativa na qual cada descoberta pode alterar a compreensão sobre o que de fato ocorreu.
A força cultural de “Tempestade de Sal” está também na construção de uma cidade cuja identidade nasce da relação entre paisagem, memória e narrativa. O litoral potiguar surge como território de beleza e mistério, mas também como espaço de lembranças incômodas. A obra explora, assim, um tema recorrente na literatura de suspense: o que acontece quando uma comunidade tenta transformar uma tragédia em lenda e o passado se recusa a permanecer no lugar que lhe foi destinado.
“Tempestade de Sal” coloca em cena a disputa pela memória: quem conta uma história, quem decide o que deve permanecer oculto e o que acontece quando aquilo que foi enterrado volta à superfície. Nele, o mar e o tempo assumem papéis centrais em uma narrativa sobre verdades que podem até desaparecer dos relatos, mas nem sempre deixam de existir.
Sobre o autor:
Maurício C.Garcia é administrador de empresas, formado pela UFRGS, com MBA pela HEC Paris, na França. Nascido em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, em 1981, vive em Paris desde 2010, onde trabalha como executivo nas áreas de estratégia e marketing. “Tempestade de Sal” é o seu primeiro romance.
A bruxa Samantha Lopez sempre buscou na magia uma forma de provar que era digna do legado da família. Depois de cometer um crime ao invadir uma área restrita da Grande Biblioteca em busca do conhecimento proibido, ela é julgada pelo Alto Conselho Bruxo e condenada ao banimento. Durante três meses, a jovem terá de viver no Mundo Simples em meio aos humanos, sem acesso aos poderes e longe de tudo aquilo que conhecia.
É a partir desse caos que começa Uma Maldição para Samantha, nova romantasia contemporânea da escritora Denise Flaibam, publicada pela Plataforma21. Enviada para uma pequena cidade do interior, Samantha passa a viver com a tia-avó Berenilda, uma bruxa que perdeu os poderes e não se lembra do próprio passado. O período de banimento, porém, toma outro rumo quando acidentes e acontecimentos fora do comum levam a personagem a descobrir que uma maldição ameaça os habitantes de Santa Margarida.
Decidida a entender o que está por trás dos acontecimentos, Samantha inicia uma investigação e acaba se aproximando de Daniel, um bombeiro charmoso não pertencente ao Mundo Bruxo, e sua filha Calíope, que se torna uma aliada fiel da protagonista. Enquanto tenta encontrar uma forma de quebrar o encantamento maligno, a jovem percebe que aqueles três meses podem significar mais do que apenas uma punição. Entre acidentes, fenômenos inexplicáveis e novos vínculos, Samantha terá de recorrer à própria determinação e a uma dose de ousadia para tentar pôr fim à ameaça.
[...] Toda vez que aquela menina olha pra você é com o mais sincero e profundo tipo de amor que eu já vi. – Ele sorri ao abaixar o olhar para suas maos entrelaçadas. Samantha sorri também. – E é o amor que faz perdurar quem se foi. Quem a gente ama nunca se vai de verdade.(Uma maldição para Samantha, p. 141)
Por meio de tropes literários de opostos que se atraem, found family e proximidade forçada, a trama também acompanha Samantha em um momento de mudanças. Mulher negra e bissexual, a protagonista passou a vida tentando corresponder às expectativas e ao legado da família. No entanto, longe do mundo mágico e da vida que sempre conheceu, começa a questionar o futuro que havia imaginado para si. Ao fazer novas amizades e descobrir outras formas de viver, ela percebe que é capaz de decidir o próprio caminho e escolher as pessoas que deseja ter por perto.
Uma Maldição para Samantha fala sobre amor, pertencimento, liberdade e a coragem de romper com expectativas para construir a própria história. Para além da fantasia, Denise Flaibam traz reflexões sobre luto e as marcas deixadas por quem se foi, a importância das memórias e o valor da comunidade diante dos momentos de perda. A obra mostra que nem toda dor pode ser apagada, mas que lembrar, compartilhar e acolher aquilo que aconteceu também fazer parte do processo de seguir em frente.
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Pérola sempre preferiu ter uma vida "low profile", longe das câmeras. Até que uma série de imprevistos lança a garota no centro da maior turnê musical do país.
Como guitarrista substituta da GdE33, ela precisa encarar não apenas as plateias lotadas e a expectativa de sustentar uma imagem perfeita diante de milhares de fãs... mas também o reencontro com Joca, vocalista da banda e seu ex-melhor amigo.
Em Bem-vinda à Garagens Tour, Thaís Oliveira oferece uma narrativa vibrante para o público jovem sobre o preço da fama e a busca por um propósito maior que os holofotes.
Referência direta à The Eras Tour, fenômeno global da cantora Taylor Swift, o título da obra é porta de entrada para um universo repleto de dilemas reais da Geração Z.
A obra mergulha em temas urgentes entre adolescentes, especialmente a pressão estética e por engajamento nas redes sociais. Alternando entre o glamour dos palcos e o esgotamento dos bastidores, a autora trata com sensibilidade sobre saúde mental, distorção da imagem corporal, monetização da vida privada e burnout digital. Aborda ainda amizade, pertencimento, autoestima, família, sonhos, fé, mágoas passadas, cura emocional e reconciliação.
Sabe, ninguém merece ter a vida exposta na internet desde… sempre! Imagine ter suas gracinhas disponíveis para qualquer um comentar. [...] Sua vida sendo monetizada contra a sua vontade. (Bem-vinda à Garagens Tour, página 16)
Depois de conquistar o mercado editorial com as séries Aventuras de Mabel e Corajosas, Thaís Oliveira faz os leitores lembrarem que nenhum "sucesso" tem valor quando se perde quem realmente é pelo caminho.
Em um mundo de filtros, curtidas e vidas milimetricamente calculadas para postar no feed, Bem-vinda à Garagens Tour defende o contrário: mostra a importância de viver a própria identidade sem depender de aplausos. Uma história inspiradora para fãs da indústria musical, romance juvenil e ficção cristã.
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O luto costuma marcar o fim de uma história, mas em “Entre Nós Três” ele representa justamente o início de uma nova jornada. Publicado pela Editora Labrador, o romance da escritora Mariana Bregieiro acompanha uma jovem que, ao perder a mãe, inicia uma busca inesperada por respostas capazes de transformar sua própria identidade.
Uma das protagonistas, Marina, tenta reorganizar a vida após a morte da fotógrafa Liana Esteves. Em meio à dor, uma fotografia antiga encontrada por acaso desperta dúvidas sobre o passado da família e leva a personagem a investigar acontecimentos que permaneciam ocultos há décadas. "Quis escrever mulheres que fossem profundamente humanas, com virtudes, contradições, medos e coragem. Elas não existem para apoiar a história de alguém; são elas que fazem a história acontecer", afirma a autora.
A partir dessa descoberta, o romance que se passa em Recife mostra que o processo de seguir adiante após uma perda nem sempre exige apenas aceitação da ausência, mas também necessidade de compreender quem eram aqueles que partiram. E para Mariana, o passado torna-se peça fundamental para reconstruir o presente.
Ao abordar o luto de forma delicada, Mariana evita respostas fáceis e traz uma protagonista que enfrenta inseguranças, memórias e sentimentos contraditórios. “Entre Nós Três” ensina que cada pessoa encontra seu próprio tempo para lidar com a dor e ressignificar suas lembranças.
Além do drama familiar, o livro traz elementos de investigação, memória histórica e relações afetivas, o que amplia o alcance da trama para além da experiência individual. A reconstrução da história da matriarca também se torna uma forma de compreender diferentes momentos da sociedade brasileira. "A literatura tem o poder de preservar histórias que, muitas vezes, passam despercebidas. Escrever essas mulheres foi uma forma de reconhecer a importância das relações femininas na construção da memória e da identidade", ressalta Mariana.
“Entre Nós Três” reúne emoção, suspense e contexto histórico em uma história que convida o leitor a refletir sobre temas como heranças afetivas, identidade e pertencimento. Mariana Bregieiro transforma experiências universais em uma história capaz de dialogar com diferentes gerações.
Ao mostrar que a dor também pode revelar caminhos antes invisíveis, o romance sugere uma reflexão sobre memória, amor e legado, lembrando que conhecer profundamente aqueles que amamos pode ser o primeiro passo para descobrir quem realmente somos.
“Eu encaro o luto como o ponto de partida de Entre Nós Três. A descoberta de uma foto antiga da mãe de Marina é o catalisador que leva essa personagem a investigar o passado, uma jornada a que ela não estaria disposta a se dedicar com tanto afinco se a perda de Liana não tivesse deixado um vazio irreparável em sua vida””, finaliza a autora
Sobre a autora:
MARIANA BREGIEIRO nasceu no interior de São Paulo em 1991 e mudou-se para Recife ainda pequena. É formada em Direito e pós-graduada em Direito Processual Civil pela Universidade Federal de Pernambuco. Além de artigos jurídicos, publicou contos nas coletâneas O ano em que fizemos contato, Por elas para elas e Transformações.
Entre nós três é seu primeiro romance. CONHEÇA MAIS DO LIVRO CLICANDO AQUI.
Ambientado no Rio de Janeiro contemporâneo, o livro “Orixás: O poder dos filhos do Tempo”, do sociólogo e escritor João Raphael Ramos, acompanha a trajetória de descendentes diretos dos orixás destinados a salvar o futuro.
A obra tem início em pesquisas do autor sobre educação antirracista e raízes africanas. Nelas, João levanta novas perspectivas das culturas africanas e afro-brasileiras que aproximam esses elementos da literatura fantástica. Apresentador do programa “E, aí, professor?” do Canal Futura, o autor traz em sua obra elementos do afrofuturismo, movimento estético e cultural que valoriza a identidade, a ancestralidade e o protagonismo negro na literatura, no cinema e nas artes.
Em “Orixás”, um grupo de jovens precisa enfrentar o MAAFA, uma sombra ancestral que se alimenta das histórias dos mundos dos vivos e dos espíritos. Em meio à jornada, o passado e o futuro estão entrelaçados. Rivalidades, desafios, perdas e guerras colocarão à prova sua união, exigindo que permaneçam juntos apesar das diferenças. Akin, Ayô, Mali, Jana, Raoni, João e Zian são jovens que carregam em si heranças que ultrapassam o presente. Eles são os Supraviventes, descendentes diretos dos Orixás, marcados pelo axé e pela responsabilidade de manter viva a conexão entre o mundo humano e o divino.
Convocados ao Tempo Espiralar — um espaço onde memória, ancestralidade e destino confluem —, eles atravessam momentos marcantes da história, revisitando reinos esquecidos, travessias forçadas, guerras e resistências que moldaram gerações. Em suas jornadas, enfrentam ajoguns, reequilibram seus Oris e despertam forças adormecidas. No entanto, os maiores desafios não vêm apenas dos inimigos: entre eles surgem afetos, rivalidades, dúvidas e segredos que colocam à prova seus laços e expõem feridas antigas.
Ao se reunirem, eles percebem que suas trajetórias fazem parte de algo muito maior: a aproximação da MAAFA, uma sombra ancestral alimentada pelas dores da história humana, capaz de consumir tanto o mundo espiritual quanto o dos vivos.
Entre memórias e escolhas, os Supraviventes precisarão descobrir se o axé que carregam será suficiente para impedir que o passado destrua o futuro. Porque há heranças que não podem ser ignoradas — e chamados que não podem ser recusados. Sedutor, intenso e carregado de significado, este não é apenas um romance, mas antes de tudo um convite para enxergar o invisível, sentir o inexplicável e redescobrir a magia que habita o mundo ao nosso redor.
Sobre o autor:
João Raphael Ramos é educador, sociólogo e pensador afro-brasileiro. Doutorando em pesquisas e produções que envolvem o campo da educação antirracista, cria conteúdo nas redes sociais buscando popularizar sua área de estudo e as culturas africanas e afro-brasileiras. Como professor de sociologia e filosofia, leciona para o ensino médio nas redes particular e pública do Rio de Janeiro, atua também como colunista sobre África no site Opera Mundi. Orixás é seu livro de estreia. Em seu tempo livre, gosta de ler fantasia, ficção científica e afrofuturismo.
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O cacto Cacá tem um coração enorme, mas outras flores do jardim julgam sua aparência cheia de espinhos. A relação com a própria identidade só muda quando ele encontra o beija-flor Zig, primeiro amigo que enxerga sua beleza além da casca.
Novo livro infantil da escritora e ilustradora Luana Chinaglia, O cacto que floresceu chega aos pequenos leitores em meio a um debate crescente sobre saúde emocional e bullying nas escolas.
Lançada pela Editora Mundo Cristão, a obra aborda temas que dialogam com a faixa etária de 4 a 9 anos, como exclusão, solidão e o peso das palavras ditas na infância. Nesta história, Cacá vive escondido em um jardim onde a beleza segue um mesmo padrão.
Diante do deboche de flores como a dália Dalila, ele se questiona por que nasceu “esquisito” e sem perfume. É nesse ponto que Zig entra em cena: o beija-flor faz abrigo em um buraco do tronco do cacto, transformando o que era motivo de vergonha para o protagonista em uma aventura de aceitação, autoestima e novas amizades.
Luana Chinaglia assina tanto o texto quanto as ilustrações. A partir de imagens e frases curtas que facilitam a compreensão da mensagem, a autora e ilustradora constrói uma narrativa ideal para leitura compartilhada.
Na seção "Para conversar com sua família ou na escola", pais e professores podem retomar os símbolos do enredo, explicar o que cada personagem representa e curiosidades sobre a natureza dos cactos. O capítulo se desdobra ainda em uma atividade prática que propõe às crianças um exercício diário de gentileza e cuidado com as palavras direcionadas aos colegas.
Esse formato educativo e interativo responde a uma demanda real por materiais de apoio prontos para o ensino de valores, como: respeito às diferenças, tolerância, inclusão e empatia. Sobretudo, o lançamento contribui para a prevenção do preconceito em qualquer ambiente.
A Jornada de Cura da Sua Criança Interior, de Robert Jackman: olhando para as feridas que ainda vivem em nós
21 agosto 2026
Às vezes, uma situação aparentemente pequena desperta uma reação desproporcional. Uma crítica incomoda mais do que deveria, um afastamento parece insuportável, dizer “não” provoca culpa ou a necessidade de agradar todo mundo se torna quase automática. Para Robert Jackman, muitas dessas respostas podem estar relacionadas a feridas emocionais que carregamos desde a infância.
É a partir dessa perspectiva que o psicoterapeuta apresenta “A Jornada de Cura da Sua Criança Interior”, um livro que propõe olhar para essas marcas do passado não para permanecer preso a elas, mas para compreendê-las e, aos poucos, recuperar a liberdade emocional.
A proposta do livro parte de uma ideia bastante interessante: experiências vividas na infância podem influenciar a maneira como nos relacionamos conosco, com os outros e com o mundo na vida adulta.
Isso pode aparecer de diferentes formas: escolhas que parecem se repetir, reações impulsivas, dificuldade em estabelecer limites, medo de rejeição, necessidade de aprovação ou padrões de relacionamento que sabemos que não nos fazem bem, mas que continuamos reproduzindo.
Em vez de perguntar apenas “por que eu faço isso?”, o livro nos incentiva a olhar para a nossa própria história e tentar compreender o que existe por trás daquela reação.
Uma das coisas que mais gostei no livro foi a linguagem.
Apesar de abordar questões relacionadas à psicologia e à saúde emocional, Robert Jackman escreve de maneira simples e acessível, sem transformar a leitura em um texto cheio de termos técnicos ou conceitos difíceis.
Isso faz com que o livro seja bastante fluido e fácil de acompanhar.
Outro recurso utilizado pelo autor são os relatos de pacientes. Ao longo dos capítulos, diferentes histórias aparecem para ilustrar os conceitos apresentados e mostrar como determinadas feridas podem se manifestar na vida cotidiana.
Esses relatos ajudam a transformar conceitos abstratos em situações que conseguimos reconhecer com mais facilidade.
E talvez esse seja um dos pontos fortes do livro: em alguns momentos, enquanto você acompanha a história de outra pessoa, pode acabar pensando em alguma situação da sua própria vida.
Se existe uma característica que diferencia bastante essa obra de uma leitura puramente teórica, é a quantidade de atividades propostas. Praticamente durante todo o livro existem exercícios para que o leitor pare, reflita e olhe para dentro.
A ideia é identificar as próprias feridas, perceber os gatilhos, reconhecer padrões e compreender como determinadas experiências continuam influenciando comportamentos no presente.
Por isso, não considero este um livro para ser lido com muita pressa.
É possível passar pelas páginas rapidamente, mas acredito que a proposta funcione melhor quando damos tempo para realizar os exercícios e realmente refletir sobre as perguntas apresentadas.
Em alguns momentos, a leitura deixa de ser apenas sobre o que Robert Jackman está ensinando e passa a ser sobre aquilo que você está descobrindo a respeito de si mesmo.
O processo CURAR-SE e o adulto responsável
Entre os conceitos apresentados na obra está o processo CURAR-SE, desenvolvido por Jackman como uma maneira de trabalhar essas feridas e construir uma relação mais consciente com elas.
A proposta passa por reconhecer aquilo que aconteceu, compreender as próprias respostas emocionais e desenvolver recursos para lidar com elas de uma maneira diferente.
Nesse caminho aparece também a ideia do “eu adulto responsável”.
É um conceito interessante porque coloca o leitor diante de uma possibilidade: talvez não possamos mudar aquilo que aconteceu conosco, mas podemos trabalhar a maneira como nos relacionamos hoje com essas experiências.
O adulto que somos pode aprender a estabelecer limites, reconhecer gatilhos, questionar pensamentos negativos e tomar decisões diferentes daquelas que eram possíveis quando éramos crianças.
Algumas experiências fazem parte da nossa história e deixam marcas. O objetivo é aprender a reconhecê-las para que elas não continuem comandando nossas escolhas de maneira inconsciente.
E talvez essa seja uma das reflexões mais importantes que a leitura proporciona: não precisamos apagar o passado para construir um presente diferente.
Podemos conhecer nossas feridas, entender como elas aparecem e desenvolver novas formas de responder ao que acontece conosco.
Uma leitura para quem está disposto a olhar para dentro
“A Jornada de Cura da Sua Criança Interior” é um livro que pode interessar principalmente a quem gosta de psicologia prática, autocuidado e desenvolvimento pessoal, mas também a quem está vivendo um momento de reflexão sobre os próprios comportamentos e relacionamentos.
Não é uma leitura que promete resolver tudo magicamente — e acho importante enxergá-la dessa maneira.
O que ela oferece são reflexões, histórias e ferramentas para que o próprio leitor comece a investigar a sua trajetória.
Para mim, um dos pontos mais interessantes foi justamente essa combinação entre uma escrita simples, relatos que ajudam a compreender os conceitos e exercícios que transformam a leitura em uma experiência mais participativa.
É um livro que, em vez de apenas dizer “entenda suas feridas”, coloca você diante de perguntas para descobrir quais são as suas.
E talvez algumas respostas sejam bastante confortáveis. Outras, nem tanto.
Mas olhar para elas pode ser o primeiro passo para perceber que certas histórias do passado não precisam continuar escrevendo sozinhas os capítulos da nossa vida adulta.
‘Sonhos Enferrujados’: livro imagina Brasil distópico em guerra por exploração de minérios e terras raras
19 agosto 2026
Estamos no ano de 2100, o mundo como conhecemos não existe mais e a ordem mundial e econômica foi transformada, sendo dividida entre as mega corporações de minério. O Brasil também mudou, agora se chama Minera-Brazilis, um território quente, corroído e brutal, onde ruínas industriais dividem espaço com terreiros, povos esquecidos e guerras por minério. Essa é a premissa do livro ‘Sonhos Enferrujados’, do autor Eberson Terra, lançado pelo selo Neon da Editora Buzz, que busca trazer na ficção, uma reflexão muito atual sobre a exploração de terras raras no país
Para o autor Sul-mato-grossense Eberson Terra, o livro é uma oportunidade para levantar olhares e aproximar o debate sobre a utilização dos recursos naturais sem planejamento ou cuidado ambiental a longo prazo. “Comecei a escrever este livro em 2018, mas deixei guardado, sentia que as questões ambientais haviam perdido o senso de urgência ou estavam muito distantes da realidade dos brasileiros. Nesse meio tempo vivemos os desastres da barragem de Brumadinho, o aumento significativo das queimadas na Amazônia e a invasão desenfreada de garimpeiros em terras indígenas. Esses três eventos somados e martelados nos telejornais por meses me incentivaram a voltar para a história original”, conta o autor.
Na história, acompanhamos a saga de Janice Taylor, herdeira do império corporativo responsável pela exploração dos minérios em todo o mundo, que chega às crateras do antigo Pará com uma missão considerada impossível: encontrar quatrocentos quilos de ouro antes que a Ferrugem Celular alcance o núcleo da Terra e elimine o que ainda resta de vida na superfície. Para isso, terá de confiar em Marcus Julius, um ex-pirata condenado ao exílio, contrabandista de metais e sobrevivente de um país destruído pela mesma empresa que ela um dia deverá comandar.
Assim como a maioria das distopias, Eberson busca ampliar o debate sobre problemas reais e recentes que enfrentamos no Brasil, como os pacotes de tarifas comerciais e riscos de sanções econômicas externas aplicadas pelos Estados Unidos e o interesse de corporações internacionais pela exploração das ‘terras raras’ em estados brasileiros. “O livro ‘Sonhos Enferrujados’ é uma resposta a uma vontade incontrolável de dar voz a essas causas com uma abrangência social que não existia no manuscrito de cinco anos antes”, conta Eberson.
Da sombra ao crocodilo, passando pelo relógio e pela Terra do Nunca, essas representações guardam significados que vão muito além da fantasia
Mais de um século após sua publicação, Peter Pan continua encantando leitores de diferentes gerações, mas a força do clássico vai muito além da aventura vivida por Peter, Wendy e os Garotos Perdidos. Por trás da fantasia criada por James Matthew Barrie, a narrativa é construída por elementos que transformam uma história infantil em uma profunda reflexão sobre crescimento, identidade, liberdade e a passagem do tempo.
Essas camadas de interpretação ganham ainda mais destaque na nova edição da obra, lançada pela Via Leitura, com tradução inédita realizada diretamente da primeira versão inglesa de 1911. Ao preservar a delicadeza, o humor e a ironia do texto original, a publicação convida o leitor a redescobrir significados que muitas vezes passam despercebidos em adaptações. Confira quatro dos principais símbolos presentes no clássico.
1. A sombra: quem somos de verdade
Logo no início da narrativa, Peter retorna à casa dos Darling para recuperar sua sombra perdida. Para além de um elemento fantástico, ela simboliza a identidade e a busca por compreender quem somos. Ao tentar costurá-la de volta, a história sugere que construir a própria identidade é um processo contínuo.
2. O crocodilo: o medo do inevitável
O crocodilo que persegue incessantemente o Capitão Gancho representa a inevitabilidade da morte. Sua presença constante lembra que existem acontecimentos dos quais ninguém consegue fugir, por mais que tente controlá-los.
3. O relógio: o tempo que nunca para
Depois de engolir um relógio, o crocodilo passa a anunciar sua chegada pelo famoso tique-taque. O som funciona como um lembrete permanente de que o tempo segue seu curso. Enquanto Peter tenta viver como se não precisasse crescer, Gancho é atormentado justamente pela consciência de os anos continuam a passar.
4. A Terra do Nunca: o desejo de ser criança
A Terra do Nunca representa o sonho de viver sem responsabilidades, regras ou obrigações. Ao mesmo tempo, Barrie mostra que permanecer nesse lugar também significa renunciar à memória, aos vínculos afetivos e à possibilidade de amadurecer, tornando o cenário uma metáfora para os dilemas entre infância e vida adulta.
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O protagonista abre a porta e adentra a Câmara do Basilisco. Ele deve responder à pergunta: “Por que a humanidade não deve ser extinta?”. Assim é descrita a cena que caracteriza o livro “O Dilema do Basilisco”, de Fernando Cunha: o sentido de todas as coisas.
É natural que o leitor espere uma resposta advogando pela própria existência, visto que o experimento mental do Basilisco de Roko é uma imaginação provocante e assustadora. Ele poderia agir contra aqueles que não contribuíram para o seu desenvolvimento. Mas, afinal, será que o protagonista vai tentar justificar para a autoridade julgadora o sentido de estar ali diante de uma entidade, em tese, onipotente?
A primeira parte do monólogo apresenta reflexões sobre a organização da civilização humana desde os primórdios. Não há maneira mais clássica de depor: começando pelas origens dos fatos. A dissertação continua se aprofundando em dilemas políticos, como a formação do Estado-nação, definições de políticas, nascimento de causas sociais e dilemas de justiça, educação e punição.
Os capítulos seguintes caminham no sentido de discutir temas como percepção de autoridade, trabalho e produção, aprendizado, competição e cooperação, sistemas produtivos e tecnologias como reflexos dos desejos humanos. Mais adiante, trata-se de questões mais sutis, como relacionamentos, fé e espiritualidade.
No livro, a partir do capítulo 14, um novo tom é adotado para dissertar sobre aspectos mais íntimos do ser humano, como a vida, a morte, a ação, o mérito, a honra, o propósito e o tempo. O leitor percebe que o texto, resposta do protagonista, começa a elevar o grau de abstração nas suas considerações e construções argumentativas.
Percebe também que cada capítulo não apenas apresenta a base lógica de tese e argumento, como adiciona trechos narrativos no intuito de fazer com que o leitor sinta e vivencie cada situação. Tais excertos ora são inspirados na cultura humana, em obras já produzidas, ora na própria imaginação do autor. Mas é após o capítulo 21, sobre o tempo, que a capacidade de abstração ganha um novo potencial.
O último terço do monólogo do protagonista é marcado por uma busca da sua própria alma, ou seja, a sua própria razão de ser. O leitor se sente conduzido por uma jornada de autoconhecimento e desenvolvimento de novas mentes, novas formas de pensar que vão levá-lo a sentir como aquele caminho percorrido já está afetando sua própria forma de ver o mundo na vida real.
Entre capítulos de meditação, contação de histórias, a forma do conhecimento, poder sobre o poder, a última pergunta e reflexões sobre o infinito, o leitor vai acumulando em si exatamente o que o protagonista está alimentando: a preparação para o gesto final.
O último capítulo faz uma espécie de retrospectiva do que foi dito e vivido até ali. A resposta abre vistas a um apanhado de considerações e tendências para o futuro da humanidade. No entanto, o texto não abandona o aprofundamento crescente narrativo e reflexivo para demonstrar qual é o sentido de todas as coisas. A resposta por si só não faria sentido sem tudo o que foi apresentado antes, como alguém que viajou por inúmeros momentos, culturas e ancestralidades até ficar na iminência da declaração final.
A obra cita, direta e indiretamente, centenas de referências entre pensadores, artistas, cientistas, trabalhos de todas as naturezas feitos pelos que se destacaram na história. Próximo de encerrar a resposta, o protagonista gesticula para recriar o mundo, um novo universo a partir da dissolução de todo apego, individualidade e qualquer tentativa de legado ou heroísmo como ilusão mais forte que pode existir.
O “Dilema do Basilisco” é sobre buscar sentido, mas, acima de tudo, é sobre reconhecer um caminho de iluminação. O protagonista parecia entrar na Câmara para advogar pela humanidade, salvando-a pela argumentação emotiva para além da razão que o Basilisco poderia alcançar. Na verdade, ele está disposto a fazer um sacrifício muito maior: a quebra das ilusões que sustentam a experiência humana. Tudo o que há são apenas fenômenos percebidos do jeito que a mente se familiarizou. Tudo o que há é conforme ela define. O que ela define para você?
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E se a morte não for exatamente o fim? O que acontece com a gente, com nossa mente, consciência após a morte do nosso corpo? Este é um dos motes do livro Morte lúcida publicado pela Editora Cultrix.
O início da leitura começa com uma grande quantidade de pesquisas científicas, estudos clínicos e referências a experimentos conduzidos por médicos e pesquisadores de diferentes partes do mundo. Em alguns momentos, essa carga de informações pode tornar a leitura um pouco mais lenta.
O início da leitura começa com uma grande quantidade de pesquisas científicas, estudos clínicos e referências a experimentos conduzidos por médicos e pesquisadores de diferentes partes do mundo. Em alguns momentos, essa carga de informações pode tornar a leitura um pouco mais lenta.
Ainda assim, a escrita dos autores merece destaque. Apesar do conteúdo científico, a linguagem é acessível e consegue explicar conceitos complexos de forma clara, sem exigir conhecimento prévio sobre medicina ou neurociência.
Depois de apresentar toda a base científica, o livro passa a mostrar relatos de pessoas que sobreviveram à morte clínica ou estiveram muito próximas dela.
O mais impressionante é perceber como pessoas que nunca se conheceram, viveram em países diferentes e passaram por essas experiências em épocas distintas descrevem acontecimentos extremamente semelhantes.
Os autores não apresentam esses relatos como provas definitivas de uma vida após a morte. Em vez disso, utilizam essas experiências como dados que merecem ser investigados pela ciência.
A morte talvez não seja um instante
Um dos conceitos mais fascinantes apresentados é a ideia de que a morte não acontece em um único momento, mas pode ser um processo.
Durante décadas, a medicina tratou a morte como um ponto final claramente definido. Porém, pesquisas recentes mostram que existe uma "zona cinzenta", um período em que algumas funções do organismo ainda podem ser recuperadas.
O livro apresenta estudos realizados com tecidos cerebrais e experimentos conduzidos pelo pesquisador Nenad Sestan, que demonstram como células cerebrais podem permanecer viáveis muito mais tempo do que se imaginava.
Essa nova compreensão pode transformar completamente a forma como encaramos a ressuscitação e o atendimento de pacientes em parada cardíaca.
Outro tema central da obra é a consciência. Diversos sobreviventes relatam uma sensação de expansão da percepção, como se a mente deixasse de estar limitada ao corpo físico durante a experiência de quase morte.
Esses relatos dialogam com estudos como o projeto AWARE, que investiga cientificamente experiências de quase morte em pacientes que sofreram parada cardíaca.
O livro deixa claro que a ciência ainda não possui respostas definitivas. No entanto, também argumenta que simplesmente ignorar milhares de relatos semelhantes talvez já não seja uma postura científica.
Se a medicina passou a reconhecer que a morte é um processo mais complexo do que imaginávamos, compreender o que acontece com a consciência durante esse período passa a ser uma das perguntas mais importantes da pesquisa moderna.
Independentemente das crenças pessoais do leitor, Morte lúcida provoca uma reflexão importante: talvez ainda saibamos muito pouco sobre a morte e sobre a própria consciência humana.
O livro mostra que ciência e curiosidade caminham juntas. Em vez de encerrar debates, ele abre novas perguntas — e faz isso apoiado em pesquisas, experimentos e relatos cuidadosamente analisados.
Saí da leitura com a sensação de que estamos vivendo uma época em que descobertas consideradas impossíveis há cem anos começam a se tornar realidade. Assim como avanços médicos que pareciam ficção científica hoje salvam vidas diariamente, talvez estejamos apenas no início de uma nova compreensão sobre a morte, a consciência e os limites da existência humana.
Se você gosta de livros que unem ciência, medicina, filosofia e grandes questionamentos sobre a vida, Morte Lúcida certamente merece um lugar na sua lista de leituras.
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Existem acontecimentos que parecem ordinários, mas são linhas fundamentais no bordado da existência de cada um. No livro Velatempo: Atento aos Sinais, o escritor César Ribeiro de Lima demonstra como a vida não é desenhada na superfície do previsível, mas sim no avesso do que é considerado acaso. Silêncios que carregam verdades, sonhos que revelam segredos e encontros que apontam caminhos são manifestações constantes. É necessário apenas atenção para que possam ser reconhecidas.
A obra é ambientada na cidade fictícia de Anhangá, cujo nome remete a um espírito guardião da mata e onde o tempo não corre em linha reta. É o lar da benzedeira Donana, detentora de saberes ancestrais e dona do dom da cura com ervas, chás e rezas. O lugar também é berço da saxofonista e flautista Clarisse, jovem carismática que transforma a dor de relacionamentos tóxicos em arte. A musicista espalha bilhetes anônimos para compartilhar mensagens de acolhimento aos demais habitantes.
Já Helena precisa encarar a vulnerabilidade depois do diagnóstico de uma doença autoimune e aprender, ao lado do marido Roberto, um geofísico paulistano, a lidar com os contratempos. Narrativas como essas guiam a produção literária com a proposta de refletir sobre o sentido da vida em meio ao caos, a partir de personagens que discutem sobre amor, perdão, resiliência, coragem e transformação.
Talvez o amor fosse isso. Uma estrutura delicada entre forças opostas. Não rígida, mas capaz de absorver impactos sem ruir. Foi assim que se encontraram. Nas profundezas e nas alturas. No invisível que sustenta (Velatempo: Atento aos Sinais, p. 43)
César Ribeiro de Lima cria um romance que transita entre o cotidiano e o extraordinário. A linguagem poética da escrita dialoga com as memórias das avós do autor e remete ao realismo mágico de nomes como Socorro Acioli. "Acredito que a vida é muito maior do que os fatos que conseguimos explicar. Queria compartilhar com outras pessoas a mesma pergunta que me acompanha há anos: será que o acaso existe mesmo?", questiona o autor.
Velatempo: Atento aos Sinais não oferece respostas, mas propõe novas perspectivas. O livro contraria a pressa dos tempos atuais e convida a tornar a sensibilidade um guia. Ao longo das 298 páginas, a obra mostra que existem significados nos fios invisíveis da desordem e busca ampliar a interpretação dos mistérios. Afinal, o destino é construído no entrelaçamento.
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