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Manu e Duda sempre foram inseparáveis. Daquelas amizades que se constroem nos pequenos rituais do dia a dia, como dividir o lanche no intervalo, trocar confidências e encontrar um espaço seguro uma na outra. No entanto, com a chegada do 6º ano na escola, algo começa a mudar. Em meio a novas dinâmicas, sentimentos difíceis de nomear e silêncios que passam a ocupar o lugar das conversas, a relação entre as duas se transforma. É nesse território sensível de transição da infância para a adolescência que acontece a narrativa de Minha (quase) ex-melhor amiga, lançamento de Rebeca Kim.
Na obra, publicada pela VR Editora, o leitor acompanha o início desse distanciamento a partir de situações cotidianas que, aos poucos, ganham novos significados. O ciúme diante de novas amizades, pequenas atitudes mal interpretadas e um gesto impulsivo que gera desconfiança passam a tensionar a relação das meninas. Esse acúmulo de emoções é evidenciado durante os ensaios para a festa junina, quando já não encontram mais o mesmo ritmo, nem na dança, nem na amizade.
O conflito ganha novos contornos quando a falta de sincronia dá início a uma discussão verbal, que evolui para uma briga física, causa a queda de Manu de sua cadeira de rodas e termina com as duas suspensas por três dias. Longe da rotina escolar, é no silêncio da ausência que percebem o quanto a amizade ainda ocupa um lugar central em suas vidas, seja na falta das conversas sobre séries, das partidas de videogame ou na simples presença uma da outra.
Incentivada pelas mães, Manu toma a iniciativa de se reaproximar, e o reencontro acontece com o pretexto de ensaiarem a coreografia da apresentação. Entre conversas e confissões, Duda revela o que não conseguiu dizer antes e, pela primeira vez, conseguem falar sobre o que estavam sentindo. Mais do que resolver o desentendimento, esse episódio marca o início de uma nova forma de se relacionar: mais honesta, aberta e atravessada pelas descobertas dessa fase.
Manu e Duda facilmente andariam no recreio, ou melhor,no intervalo com minhas personagens. Em “Minha (quase) ex-melhor amiga”,você vai ver que com uma boa rede de apoio podemos passar pela adolescênciacom mais carinho e entender que todos os sentimentos são válidos— a gente só precisa não ter medo de entendê-los melhor.Thalita Rebouças, escritora best-seller
Carioca, nipo-brasileira e cadeirante, Rebeca Kim constrói um enredo em que a diversidade aparece de forma orgânica, integrada à vida das personagens, sem ser tratada como obstáculo. Ao trazer uma protagonista negra, cadeirante e filha de duas mulheres com naturalidade e afeto, a autora amplia as possibilidades de identificação para jovens leitores, sem recorrer a estereótipos ou a uma visão limitada dessas vivências. Com ilustrações delicadas de Purin Naka, que retrata cada fase da amizade das protagonistas, Minha (quase) ex-melhor amiga é uma história sobre amadurecimento que acolhe, representa e convida à empatia, reforçando que toda experiência merece ser vista em sua complexidade e, sobretudo, em sua potência.
Depois de ficar viúva, Lark Thompson tem certeza de que o amor está morto e enterrado. Decidida a recomeçar a vida, ela se muda do Texas para Galway, na Irlanda, onde acaba por morar bem ao lado de uma funerária, comandada pelo tímido e reservado Callum Flannelly.
O rapaz também encara um dilema: precisa se casar antes dos 35 anos para herdar o negócio da família, de acordo com o testamento do falecido avô. Os novos vizinhos iniciam uma amizade quando a extrovertida texana se oferece para ajudá-lo a encontrar a mulher ideal e resolver o problema – Lark só não esperava que o agente funerário poderia derreter seu coração enlutado.
Em uma comédia romântica sobre como os opostos se atraem, o lançamento Morrendo de amor mistura humor e sensibilidade ao abordar temas universais como luto, a busca pela própria identidade, a importância de construir relacionamentos saudáveis e o que significa ser demissexual.
Publicado pela VR Editora, e escrito por Ivy Fairbanks, este sucesso do TikTok alterna a narrativa entre o ponto de vista dos protagonistas, por meio de diálogos divertidos, cenas hot e a charmosa cultura irlandesa como cenário, que fazem o leitor se apaixonar e torcer por este casal improvável.
Embora esteja sofrendo pela morte repentina do marido, Lark não perde a personalidade engraçada, sarcástica, e a habilidade de enxergar leveza até em situações difíceis. Já Callum vive uma rotina solitária e metódica, reflexo de uma gagueira que o fez passar por bullying desde jovem e aumentou sua insegurança.
Juntos, os dois unem as diferenças para encorajar um ao outro a superar os próprios medos e a solidão: ela traz mais risadas para o dia a dia dele, incentivando-o a enfrentar a ansiedade social e se abrir para novas experiências e pessoas; enquanto ele oferece a âncora de estabilidade e apoio emocional que a jovem precisa para lidar com a dor da perda.
Íamos apreciar a luz e honrar a escuridão, juntos. Eu faria tudo ao meu alcance para construir uma vida linda e vibrante para aquela mulher que tinha espalhado cor na minha existência monocromática. Nessa casa coberta de hera onde a morte era honrada, criaríamos uma vida transbordando de honestidade, amor e alegria. (Morrendo de amor, p. 352)
Morrendo de amor vai encantar principalmente aficionados pelos tropes literários friends-to-lovers, casamento por conveniência, grumpy x sunshine (um mal-humorado, outro bem-humorado) e found family. Uma celebração do amor, essa leitura mostra como as conexões humanas têm o poder de curar feridas emocionais, e que é possível encontrar oportunidades de recomeço em qualquer lugar ou momento da vida.
Para aqueles que estão vivendo uma crise no relacionamento ou desejam encontrar alguém para amar, as poções peculiares da Farmácia do amor da família Botero podem ser a solução.
Neste lançamento, publicado pela VR Editora, a premiada escritora Lee Sun-Young transporta o leitor para a Coreia do Sul, onde uma pequena farmácia é conhecida por vender muito mais do que simples remédios – cada frasco contém o amor como ingrediente principal, cuja fórmula milagrosa promete curar o coração e resolver qualquer problema sentimental.
Espremida em um beco de uma antiga área residencial de Seul, próxima à Estrada Infinita do Amor, a farmácia levanta curiosidade e suspeita entre os vizinhos logo ao abrir as portas. Afinal, deve haver algum segredo na poção do amor vendida ali: o que mais explicaria a Sra. Han, uma mulher linda, estar casada com um homem tão feio como Botero?
Administrador do laboratório, onde realiza pesquisas bioquímicas, o marido da farmacêutica é descrito como um senhor de corpo arredondado e óculos de armação de tartaruga, traços físicos que lembram as figuras rotundas ilustradas pelo artista colombiano Fernando Botero – daí o apelido do protagonista.
Enquanto acompanha os desdobramentos da inauguração no bairro e a chegada dos primeiros clientes, o leitor também é apresentado a diversos personagens cujos caminhos se cruzam pela farmácia. Entre elas, estão uma casamenteira que acha que seu trabalho não tem nada a ver com o amor, um funcionário público à procura de uma esposa porque quer agradar aos pais, e um rapaz apaixonado pela mãe da namorada.
Talvez a poção do amor tivesse algo de placebo. As brasas dentro de um ser humano podem criar uma grande chama como uma mera faísca. O que derrama água fria sobre essa brasa são os mesmos relacionamentos que podem originar a faísca que acende o fogo. De certa forma, a poção do amor poderia ser considerada o catalisador dessa brasa. (Farmácia do Amor da Família Botero, p. 184)
Cada capítulo mergulha na psique de um personagem diferente, ao explorar temas sensíveis: relacionamentos familiares, amizade, perda, luto, perdão, arrependimentos e traumas do passado, e até mesmo o papel da arte ao entrar em contato com os próprios sentimentos.
Ainda, o livro tece críticas à sociedade coreana sobre as incidências do bullying e do suicídio no país, bem como o peso das expectativas colocadas nos filhos e na maternidade, e a necessidade cultural de conseguir um bom casamento na idade considerada “adequada”.
Por meio de metáforas sobre questões emocionais e protagonistas complexos, Lee Sun-Young entrega uma ficção de cura, gênero literário que conquistou os brasileiros, sobre o poder terapêutico das conexões humanas. Traduzido diretamente do coreano para o português, Farmácia do amor da família Botero ensina, sobretudo, que o verdadeiro sentido da vida não pode ser encontrado em fórmulas prontas, mas sim, nas relações construídas ao longo do caminho.
June Hart tinha uma rotina comum: ela vivia na praia, estava em um relacionamento amoroso com Griffin Hapler há 10 anos, era proprietária de uma casa de chá – beirando a falência –, e não falava mais com Levi, melhor amigo de infância, desde que começara a namorar.
Mas a vida pacata da protagonista do romance contemporâneo Como se vingar do seu ex, escrito pela best-seller do New York Times Emma Lord, muda drasticamente quando Griffin termina com ela durante o reality show Business Savvy – no qual ele declara seu amor para uma participante do programa e faz June chorar em rede nacional, transformando-a em um meme ambulante. Afinal, o caso repercute nas redes sociais e a moça fica conhecida como “Menina Chorona”.
Do outro lado, Levi Shaw, ex-melhor amigo de June, vive um escândalo público parecido. Noivo da corretora de imóveis Kelly Carter, o rapaz descobre, por meio dos tabloides, estar sendo traído pela parceira, que se envolveu com o astro do cinema Roman Steele.
É em meio a essas desilusões amorosas humilhantes que o destino dos protagonistas volta a se esbarrar após uma década, quando Levi decide voltar para a cidade natal de Benson Beach, a fim de tentar retomar o antigo sonho de ser escritor.
Porém, quando Levi e June se reencontram, um fã do reality show tira uma foto dos dois juntos e publica na internet, viralizando nas redes. Assim, nasce o rumor de que eles estão namorando e ambos passam a ter inúmeros fãs, que os denominam de “Ex Vingativos”.
[...] — Imagina o seguinte: vocês dois saem num monte de encontros de mentirinha tão fofos que chega a dar nojo. June continua com esse embalo absurdo de bolinhos ingleses, e oba! Salva a Orla do Chá. Vocês mostram para os seus ex o que eles estão perdendo, porque vocês são dois grandes gostosos. E eu ganho uma bolada como sua fotógrafa exclusiva para poder usar meu tempo valioso trabalhando nas minhas matérias. Todo mundo se dá bem [...] (Como se vingar do seu ex, p. 53)
O que parecia ser um novo escândalo vira uma oportunidade para os protagonistas, quando Sana, jornalista e amiga de June, propõe que os dois finjam estar em um relacionamento de mentirinha. Primeiro, porque agora eles somam muitos seguidores que podem ajudar a reestabelecer a loja de chás da moça; segundo, Sana precisa de um furo de reportagem para alavancar a própria carreira; e, por último, para que os amigos possam se vingar à altura de seus respectivos ex. Sem ter nada a perder, Levi e June aceitam prontamente a ideia e embarcam em um Fake Dating apaixonante.
Ao bom estilo friends-to-lovers, Como se vingar do seu ex, publicado no Brasil pela VR Editora, vai muito além de um clichê romântico sobre revanche amorosa. Ao longo da história, a também autora de Tweet Cute (Plataforma21) traz reflexões sobre luto, representatividade LGBTQIAPN+, relacionamentos tóxicos, a importância de compreender as próprias emoções e como lidar com leveza perante às adversidades.
Com uma escrita sensível e bem-humorada, Emma Lord mostra que, embora a vingança possa parecer atraente em momentos de dor e traição, ela não é o caminho para a cura: só é possível superar um coração partido ao praticar o autoconhecimento, valorizar o amor-próprio, aprender a perdoar e ter coragem para recomeçar a vida.
Desde cedo, meninos são ensinados que devem ser líderes natos, bem-sucedidos e heróis destemidos se quiserem ser amados. Que os homens que expressam as próprias emoções acabam se tornando frágeis ou que a desconexão com os sentimentos é uma virtude digna de uma boa liderança.
Para romper com essas crenças tóxicas, a escritora de Histórias de Ninar para Garotas Rebeldes, best-seller do New York Times, Francesca Cavallo lança o livro Histórias Espaciais para Homens do Futuro. São 12 contos para ajudar os pequenos leitores a descobrirem que os garotos também choram e não precisam ser fortes o tempo todo.
Nestas narrativas divertidas e repletas de lições de vida, ilustradas pelo premiado designer gráfico mexicano Luis San Vicente, as crianças são convidadas a viajar por planetas longínquos e imaginários. Cada um deles aborda um tema crucial para a formação da identidade masculina: desde a relação com a figura paterna à sabedoria para lidar com a disparidade de força; do relacionamento das emoções para além da raiva à exploração corajosa da própria identidade de gênero.
Por meio de muitas aventuras, o leitor ainda aprende sobre autoconhecimento, empatia, coragem emocional, autenticidade, igualdade, respeito, superação dos medos, como lidar com frustrações ou situações opressivas, e a importância da solidariedade e resiliência.
"Esse livro nasceu do desejo profundo de criar uma ferramenta para discutir um dos temas mais controversos do nosso tempo: a masculinidade. É um livro que cresceu como fruto de um exercício de extrema escuta, amor e confiança. Três coisas que não podem e não devem nunca faltar quando nos relacionamos com crianças, sejam meninas ou meninos [...] esse é o universo que quero conquistar junto a cada um de vocês. Para que o amor que sentimos pelas crianças se torne o amor que elas sentem por si mesmas. E para que esse amor se torne a força motriz de suas vidas”, revela Francesca Cavallo.
Ao longo dos contos encantados, a autora apresenta lugares habitados por piratas, ogros, fantasmas, reis, um presidente com uma estranha obsessão pela guerra e o sapo que busca um amor verdadeiro – cada qual lutando contra preconceitos e ideais tóxicos impostos pela sociedade.
Embasada em pesquisas nas áreas de psicologia, antropologia e sociologia, que estudam a formação da identidade masculina a partir de diversos pontos de vista, Francesca Cavallo também explora de forma leve como o mundo poderia ser diferente se todos fossem capazes de expressar a necessidade de estabelecer conexões sem direcionar comportamentos destrutivos para si e para o próximo, além de compreender que pedir ajuda não é sinônimo de fraqueza.
Histórias Espaciais para Homens do Futuro, publicado pela VR Editora e com posfácio escrito por Pedro Pacífico (o @Bookster), não se limita a apresentar ao público personagens masculinos que têm orgulho de sua coragem emocional e da própria integridade moral.
O livro oferece às crianças – do presente e do futuro – uma visão nova e mais saudável do que significa ser “homem” na contemporaneidade, que meninos e meninas merecem crescer livres dos estereótipos de gênero e da cultura de opressão e violência que aprisionou o conceito de masculinidade durante muito tempo.
Greg Heffley tinha o plano perfeito para o verão: descansar, ficar longe do sol escaldante e curtir ao máximo possível o período longe da escola. Mas o protagonista do Diário de um Banana não esperava ter que passar as férias com a família reunida – incluindo os primos irritantes e as tias que nem sempre se dão bem umas com as outras.
Para piorar, todos vão se reunir em uma casa de praia minúscula a fim de realizar o desejo de sua avó: criar lembranças felizes e comemorar o aniversário de 75 anos ao lado daqueles que ama.
É assim que inicia mais uma jornada hilária e desastrosa do fenômeno literário infantojuvenil e best-seller do New York Times, escrito e ilustrado por Jeff Kinney. Em Diário de um Banana: Baita Lambança, 19º volume da série publicada no Brasil pela VR Editora, Greg vai precisar aprender a lidar com situações frustrantes e caóticas, ao mesmo tempo em que coloca à prova a própria paciência diariamente.
Então, faço questão de registrar aqui que essa viagem é uma péssima ideia. Na minha opinião, férias em família são como uma receita, e a verdade é que alguns ingredientes simplesmente não combinam. (Diário de um Banana – Baita Lambança, p. 11)
Com direito a muita confusão, calor praiano, competição para ver quem faz o melhor espaguete e uma deliciosa e secreta receita de almondegas da vovó, a viagem em família vira uma bagunça particularmente esquisita. Será que até o final das férias Greg vai conseguir sobreviver às tradições familiares, desvendar os mistérios de cada parente e ainda voltar para casa intacto?
Recheada de quadrinhos, diálogos afiados e bom humor – marca registrada em toda a série –, nesta nova história, assim como o protagonista, os jovens leitores vão aprender que toda ação tem uma consequência. Além disso, que precisarão se adaptar e tratar com mais leveza os imprevistos da vida.
Mais do que uma narrativa divertida, Kinney compartilha que, embora a convivência familiar possa ser difícil e cheia de conflitos, a união e os laços afetivos são fundamentais para um crescimento saudável.
Os livros da série Diário de um Banana foram traduzidos para 62 idiomas e distribuídos em 74 países. Apenas no Brasil, a coleção teve mais de 14 milhões de cópias vendidas.
Filosofia dos Gatos: Como o Livro "Neko Café" Ensina a Ser Feliz em Meio às Adversidades
26 agosto 2024
O que define a felicidade? Para alguns, pode ser a tranquilidade em uma manhã ensolarada, para outros, um simples momento de conexão com a natureza ou até o carinho de um animal. Em "Neko Café", a escritora Anna Sólyom, filósofa húngara, propõe uma resposta inusitada: aprender a ser feliz com os gatos, seres que, com sua serenidade e autenticidade, revelam lições valiosas sobre como encontrar alegria nos momentos mais difíceis da vida.
Publicado no Brasil pela VR Editora e traduzido para 14 idiomas, esse romance de cura traz a jornada de Nagore, uma mulher em crise, prestes a completar 40 anos, que se vê perdida e desorientada, sem emprego, endividada e com um medo peculiar que a impede de ser plenamente feliz – o medo de gatos.
Através de uma narrativa envolvente, Sólyom nos conduz por um caminho de recomeços, enfrentamentos e descobertas emocionantes, mostrando que, assim como os felinos, não precisamos de muito para sermos felizes – apenas de autenticidade e coragem para encarar o desconhecido.
A Protagonista em Crise e a Jornada de Redescoberta
Nagore é o retrato de muitas mulheres que, ao se aproximarem de uma nova fase da vida, sentem-se perdidas, inseguras sobre o que realmente querem ou sobre o que podem realizar. Abandonada pelo namorado, sem emprego e com a autoestima abalada, ela retorna à sua cidade natal, Barcelona, apenas para se deparar com mais problemas.
Suas noites são assombradas por preocupações financeiras e uma sinfonia irritante de gatos da vizinhança que, ironicamente, parece estar sempre à espreita de sua janela. Nagore não vê uma saída para sua situação, sentindo-se incapaz de buscar algo novo ou de superar suas angústias.
A história muda quando uma antiga amiga aparece com uma proposta de trabalho no Neko Café, uma cafeteria japonesa repleta de gatos. Apesar de sofrer de ailurofobia – medo de gatos – Nagore aceita o emprego, determinada a pagar suas contas e encontrar um novo caminho para a sua vida. A ideia de estar cercada pelos animais que mais teme a apavora, mas ela sabe que não tem escolha.
É aqui que Anna Sólyom nos apresenta à verdadeira essência do livro. O "Neko Café" não é apenas um local físico, mas uma metáfora para a necessidade de enfrentar os nossos maiores medos e, assim, descobrir uma nova maneira de viver.
Os gatos, que no início são fonte de desconforto para Nagore, passam a ser seus guias emocionais, desvendando aos poucos uma filosofia de vida simples e inspiradora: aceitar-se como se é e encontrar felicidade nas pequenas coisas.
A Filosofia dos Gatos: Lições de Vida Entre Miados
Em meio à rotina da cafeteria, cada gato se torna uma espécie de mentor para Nagore. Cappuccino, um dos felinos mais carismáticos, exemplifica a lição da autenticidade. Logo no início, ao se aproximar de Nagore, ele desafia o medo dela ao sentar calmamente em seu colo, como se dissesse: “Você não precisa ter medo. Apenas seja você mesma, e tudo ficará bem.” Cappuccino não age de forma a agradar; ele simplesmente é quem é – uma lição profunda que Nagore acaba absorvendo.
Outra personagem importante é Fígaro, que exala uma confiança inabalável. Ele ensina a protagonista a valorizar a própria autoestima, mostrando que, assim como ele, Nagore precisa cuidar de si mesma e acreditar em seu próprio valor.
Com o tempo, ela começa a perceber que os gatos não são apenas criaturas misteriosas e independentes, mas também mestres da serenidade e da aceitação. E é por meio desse relacionamento inesperado com os felinos que Nagore se reconstrói, aprendendo que a felicidade não está em grandes conquistas ou momentos grandiosos, mas nos pequenos gestos e na capacidade de se amar e ser autêntica.
Ao longo do livro, o relacionamento de Nagore com os gatos vai além de uma simples convivência forçada. Ela enfrenta seu medo, mas, ao fazer isso, começa a perceber que estava deixando o medo controlar todos os aspectos de sua vida, não apenas em relação aos felinos.
Assim como os gatos a encaram com serenidade, sem exigir nada em troca, ela começa a enxergar suas próprias inseguranças sob uma nova luz.
Um dos momentos mais marcantes da história ocorre quando Nagore reflete sobre uma fala de Yumi, sua chefe: “Aceite-se como você é, e não precisará da aprovação dos outros.” Essa frase encapsula a jornada de crescimento da protagonista. Encarar seus traumas e aceitar que suas imperfeições não a tornam menos digna de felicidade é o que finalmente permite que Nagore comece a se abrir para novas experiências.
O Poder da Escrita Bem-humorada e Filosófica de Anna Sólyom
O charme de "Neko Café" não está apenas nas lições filosóficas oferecidas pelos gatos, mas também no tom leve e bem-humorado da escrita de Anna Sólyom. A autora tem uma habilidade única de entrelaçar humor com reflexões profundas, criando um equilíbrio perfeito entre momentos de descontração e momentos de introspecção.
Por meio de Nagore, Sólyom aborda temas universais como o medo da solidão, a busca pela felicidade e a necessidade de recomeçar, não importa em que fase da vida você esteja. A personagem nos lembra que, mesmo em meio às adversidades, é possível encontrar alegria nos detalhes, como um gato que repousa pacificamente em seu colo ou um sorriso compartilhado com um estranho.
Além disso, a autora utiliza personagens como espelhos para a protagonista, refletindo suas próprias dúvidas e ansiedades, mas também oferecendo novas perspectivas. Os gatos simbolizam as diferentes faces da própria vida de Nagore – cheia de altos e baixos, mas também cheia de potencial para ser vivida de forma autêntica e sem medo.
"Neko Café" é uma obra que nos faz refletir sobre o que realmente importa na vida. Com uma escrita envolvente, personagens cativantes e lições profundas sobre autodescoberta e aceitação, o livro nos lembra que não precisamos ter tudo sob controle para sermos felizes. Às vezes, os maiores recomeços acontecem quando aceitamos quem somos e deixamos que a vida siga seu curso, sem forçar ou resistir.
Assim como os gatos da história, que vivem de maneira tranquila e serena, podemos aprender a encontrar felicidade nas pequenas coisas e nas conexões simples que construímos ao longo do caminho. E, acima de tudo, "Neko Café" nos ensina que, não importa quais medos carregamos, sempre há uma nova oportunidade esperando para nos mostrar que a felicidade está ao nosso alcance, basta que tenhamos a coragem de abraçá-la.
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